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900 POST: Crime e pecado: Quem julga o que?

Um dos grandes avanços da legislação de um Estado é a Constituição¹. Esse conjunto de regras que, aplicadas, regem o comportamento dos cidadãos de um país tem diretrizes claras, mas, na pratica nem sempre é respeitado, o que não exclui um cidadão do seu estado primordial de membro de uma comunidade. A legislação prevê uma “retirada” desse individuo para reabilitá-lo ao convívio naquela sociedade, caso haja desrespeito as regras previstas.

Para os cristãos, o “livro de regras” que rege o próprio comportamento é chamado Evangelho. Ali estão mandamentos, relatos, parábolas, bem-aventuranças que explicitam as diretrizes para que um indivíduo seja reconhecido como “discípulo de cristo”. Contudo, diferente das leis estatais, a não “obediência” as regras do Evangelho não prevêem um afastamento comunitário. O erro cometido pode ser perdoado por meio de procedimentos específicos: arrependimento e confissão.

Na lei “do Estado” o escopo primordial é a ordem, que é submetida à obediência das leis, enquanto na lei “cristã” o objetivo é o homem e a sua felicidade, sendo consciente a sua limitação intrínseca de espelhar perfeitamente o regimento estabelecido no Evangelho. Por isso, enquanto na primeira situação o erro é suscetível ao julgamento, no segundo caso o julgamento não faz parte do seu regimento interno.

Essa premissa me faz ver claramente o que pode ser gerido pelo Estado e o que é posição religiosa, diferenças que a mídia raramente faz questão de entender e respeitar.

Venho acompanhando o caso escandaloso, vergonhoso, humilhante dos padres pedófilos, especificamente o caso de Arapiraca.

Pessoalmente me senti ferido, humilhado, por ser cristão e principalmente porque procuro viver da melhor forma possível às “regras” que essa “denominação” exige aos seus seguidores.

É estarrecedor perceber que um líder comunitário religioso se submete conscientemente a praticar não só um crime contra a sociedade, mas um desrespeito a toda a comunidade cristã que busca salvaguardar valores que a sociedade vai intensamente desprezando sem se dar conta das graves conseqüências que isso traz para a mesma. Mas, o que mais me ofendeu foi a cobertura sensacionalista e baixa feita pelo SBT no programa Conexão Repórter onde ficou clara a intenção do especial: destruir a imagem da Igreja e não simplesmente apontar e polemizar  um caso grave de crime contra a sociedade.

O aspecto moral – religioso que muitos insistem em usar como argumentação para atacar a Igreja não pode ser tratado de maneira tão superficial. Pois “crucificam”-se os culpados, mas não se reflete a causa, as motivações, o porquê.

De que adianta um órgão social, como a imprensa, que tem o dever de apresentar um “fato social” como esse grave episódio, se ele não nos impulsiona a buscar soluções e questionamentos que possam resolver ou ajudar na resolução do problema??

NADA!!! Isso é desserviço.

Crimes como pedofilia precisam ser investigados e os autores PUNIDOS! Não interessa se é padre, advogado, jornalista, professor. Essas regras estão sob tutela do Estado. Agora, usar de um fato social para levantar questionamentos que dizem respeito à Igreja, isso não é admissível. Não diz respeito a concepções e conclusões estritamente racionais.

A religiosidade não se baseia em regras como a de uma constituição. Na relação com a fé, existem palavras como misericórdia, perdão, arrependimento, que separam claramente pecador e pecado. O erro não é questionável, é um fato, mas o pecador tem sempre como ser perdoado. Afinal de contas, quem nunca errou? Quem nunca ofendeu? Quem está isento da necessidade de perdão e da misericórdia, primeiro das pessoas e, para quem acredita, de DEUS?

“Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire a pedra contra ela. (João 8:7-11). Esse desafio foi feito por Jesus no caso da mulher adúltera. Era hábito naquele tempo apedrejar a mulher que fosse pega em adultério – o que naquela época era um crime MORAL grave, e que hoje é já tratado como “algo normal”. Ele chamou a todos para uma reflexão, queria que eles refletissem antes de condenar os outros. Esse é um comportamento normal do ser humano, ver o cisco no olho dos outros – sem ver o pedaço de pau no seu olho.

Isso para separar o pecado do crime. O erro moral pode ser julgado pela lei? Quem é que julga? Melhor, quem é capacitado o suficiente para julgá-lo? Agora, crimes como homicídio e mesmo a pedofilia são problemas sociais e por isso devem ter observação e punição nessa esfera.

Mas aqui ficam alguns questionamentos:

  • Será que socialmente não estamos criando cada vez mais condições para que casos como esses se ampliem?
  • Não seria demagogia demais uma mídia que “erotiza” crianças e usa da sexualidade como principal motor de audiência, faça a defesa da busca de uma verdade brutal, de que talvez ela seja a principal causa?
  • É moralmente mais chocante se dar conta de um padre, com mais de oitenta anos, mais de cinqüenta de celibato, estar envolvido em um escândalo como esse. Mas será que as pessoas se dão conta de que a grande maioria dos casos de pedofilia acontece em famílias, geralmente por pais, ou pessoas ligadas à família?

O mais importante aqui é não olhar casos específicos para atacar uma comunidade, como a cristã, que busca seguir as “regras” e tem tantos exemplos bons, de trabalho humanitário, de ajuda, mais que tudo… de busca!

Quando transferimos a problemática para uma família, talvez fica mais fácil analisar. Ás vezes sob um mesmo teto todos são trabalhadores, procuram se amar, se querem bem, mas um dos membros da família, por liberdade e escolha resolve optar por “outros caminhos”. Não quer trabalhar, se envolve com drogas, o que gera dor, tristeza, vergonha, sobretudo perante “os outros”. Mas, mesmo diante de tudo isso, qual é a atitude que a família geralmente tem em relação a essa pessoa? De descaso, expulsão? Não. Existindo amor, todos procuram ajudar até que o problema seja resolvido. É assim que a comunidade cristã procura assumir seus problemas. Há sofrimento, há vergonha, mas, acima de tudo, deve haver amor e coragem para enfrentar um problema grave e real.

Acho interessante como a sociedade laica lutou em prol de um Estado que se dissociasse da religião, mas que agora, insistentemente, querem influenciar “o outro lado”, em uma esfera que não lhe diz respeito.

Isso não é justificativa para o crime dos padres. É só mostrar claramente a diferença entre crime e pecado. Ajuda a criar consciência diante das manipulações midiáticas que misturam o perdão religioso e a punição prevista por meio de procedimentos legais, na nossa Constituição.

Texto de apoio:

Carlos Alberto di Franco: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100405/not_imp533751,0.php

Dom Odilo Scherer: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100410/not_imp536428,0.php

Para elas

inovacao_para_elas

Pego um ramalhete de flores… pra quem entrego?

(…)Hummm!

Lembro de sorrisos, risadas, de papo inteligente sobre assunto qualquer.

Vou entregar a uma mulher.

Mulher é sinônimo de belas flores

Flores que me levam a reviver amores

Amores que passaram e um que ficou

Jogue a primeira pedra,

se uma maravilhosa mulher

você ainda não amou.

Mulher é uma infinita luta

Capaz de renunciar a si mesmo, de oferecer-me uma fruta

Doce como é seu olhar, o beijo

Só uma mulher é capaz de amar desse jeito

E, de novo, com o ramalhete na mão escolho a presenteada

Mesmo triste porque está longe a mulher desejada

Assim transformo as flores em palavras desta simples poesia

Agradecendo as mulheres que me fazem festejar esse maravilhoso dia.

(poesia em homenagem ao Dia Internacional das Mulheres)

Devemos começar a contar as nossas roupas

Já estou cansado das catástrofes naturais.

Não que isso tenha algum tipo de conseqüência na diminuição delas e muito menos ressonância nas discussões e coberturas midiáticas que se repetem em estilo, abordagem e questionamentos. (perdão para a generalização, mas esse é o sentimento)

Depois de Angra, do Haiti… o que falaremos de diferente do Chile?

Quantos graus na escala richter foi o terremoto? 6, 7?

Quantos mortos 500, 1.000, 50.000?

Quantos brasileiros estão na contagem de vítimas? Quantos se salvaram?

De novo a catástrofe, de novo a dor, as mortes, mas infelizmente ainda falta a tal resposta a minha pergunta: o que eu tenho a ver com isso?

Revendo uma animação muito interessante (http://www.storyofstuff.org/international/ ) novamente pensei no quanto nos distanciamos das realidades.

De forma sintética, essa animação mostra como “hábitos verdes”, como a reciclagem, não resolvem mais o problema do nosso planeta.

Ok! Seria ótimo que todos separassem o lixo, reciclassem tudo, mas os maiores poluidores são as grandes empresas que continuam produzindo freneticamente para acompanhar o ritmo de consumo das pessoas.

E continuamos a falar das conseqüências e não da origem dos problemas!

Talvez letrados, especialistas, consigam despertar para questões mais amplas e até considerem ingênuo esse meu questionamento, mas a juventude (meus amigos) não consegue entender que devemos começar a contar as roupas que temos no armário.

Pode até ser que eu seja louco, mas será que é tão claro para mim e tão obscuro para muita gente que todas essas catástrofes são uma reação da natureza contra os nossos abusos PESSOAIS?

As respostas estão sempre distantes! Políticas públicas, boa vontade política, acordos econômicos. Argumentos assim mostram um alto grau de consciência. Só que o que eu gostaria mesmo era abrir o armário desses “ases da eloqüência”.

Conservamos hábitos insustentáveis e o mais interessante é que as decisões políticas acompanham todos eles.

(Em São Paulo fazem-se obras para ampliar grandes vias como a Marginal em vez de um investimento massivo em transporte público e até mesmo o rodízio, em vez de diminuir a quantidade de carros, incentivou as pessoas a terem dois carros para não perderem a possibilidade de se locomover com conforto)

Duas casas, dois carros, muitas camisetas, três tênis (afinal de contas eles precisam combinar com as roupas) e sapatos? Quantos pares?

Depois do pseudo-comunismo está na moda o pseudo-ambientalismo. Tudo perfeito no discurso, mas a falta de coerência prática gera conseqüências que fazem mal aos olhos, a alma.

Dessa forma, decidi abrir meu armário. Não só o local onde estão minhas roupas, coisas, mas onde está a consciência de que as mudanças nascem de dentro pra fora. Ou será que a gente só vai se sensibilizar quando forem os nossos parentes, amigos, que estarão entre os números da contagem de mortos de algum desastre?

Recuperação: A experiência da Fazenda da Esperança


Recuperação

Fonte: Dicionário Houaiss

Acepções
■ substantivo feminino
1 ato ou efeito de recuperar(-se); recobramento
1.1 reconquista da saúde, do bem-estar
Ex.: deixou o hospital e está em plena r.
2 volta à vida normal, ao ambiente social ou de trabalho
Ex.: o acompanhamento psiquiátrico foi fundamental para sua r.
3 Rubrica: termo jurídico.
ato por meio do qual alguém é reintegrado na posse de algo que lhe tenha sido retirado
4 Rubrica: pedagogia. Regionalismo: Brasil.
período de estudo (de um reprovado) em que se prepara para prestar uma segunda prova que o capacite a passar para o grau acadêmico seguinte
Ex.: ficou em r. em duas matérias
5 Derivação: por metonímia. Rubrica: pedagogia. Regionalismo: Brasil.
a prova realizada no final desse período de estudo

No meu segundo dia no Seminário Internacional de Educação e Prevenção ao uso de Drogas e à Violência senti a curiosidade de entender o significado da palavra “recuperação”, justamente por estar em um local em que ela faz muito sentido e pela relação direta com a pratica educativa, muito discutida no Seminário.

Entre as acepções apresentadas no Dicionário Houaiss, a que mais me interessou foi o termo jurídico: “ato por meio do qual alguém é reintegrado na posse de algo que lhe tenha sido retirado”.

Seria ingênuo pensar que somente a dignidade dos jovens que se recuperam aqui na Fazenda é algo que lhes foi retirada. Eles também perderam famílias, saúde, mas não são eles os únicos “enfermos”, só eles que necessitam de tratamento.

Estamos todos doentes, porque a sociedade está doente há muitos anos. E essa enfermidade não só nos privou de direitos básicos: saúde, educação, segurança, alimentação, mas principalmente tornou-nos cidadãos esquizofrênicos, ao ponto de olharmos para nossos iguais, TODOS OS DIAS, e sermos capazes de desviar o olhar, fechar o vidro do carro, mudar de canal.

Perdemos a capacidade de nos sensibilizar e aprendemos a fazer da dimensão dessa tragédia social desculpa esfarrapada para o nosso comodismo.

Dois dias entre educadores e desfrutando da atmosfera da Fazenda da Esperança me fizeram chegar a uma simples conclusão: EU TAMBÉM PRECISO ME RECUPERAR!

A vivência aqui entre marginalizados pela sociedade e profissionais que tentam de alguma forma transformar trabalhos “solo” em uma potente orquestra, grito emergencial para a conversão do cenário sociopolítico que nos encontramos, me fez pensar em conceitos, como o que intitula essa minha reflexão.

Se não procuramos “reintegrar” a nossa visão a respeito da dignidade, da sensibilidade e da necessidade de transformar SOCIEDADE e a nós mesmos parecerá hipocrisia consideramo-nos mais capazes do que qualquer pessoa, marginalizada ou não, do convívio social.

Aqui, ontem, no “momento mais importante do dia”, como disse um dos “recuperandos”, pude sentir a potência do que é o “amor ao próximo”, a fraternidade, que aqui adquire outra dimensão, profundidade.

“O Senhor operou maravilhas por nós” era a canção que concluía o momento de adoração daqueles jovens, com as mais inacreditáveis histórias, de todo o país e de outros lugares do mundo. A potência assustadora daquelas vozes entrou pelos meus ouvidos e me transformou.

Sim – pensei. Para mim também o “tal” Senhor operou maravilhas. Deu-me saúde, formação e sensibilidade para perceber que ainda existem profissionais preocupados com a ESPERANÇA, verdadeiro motor das transformações, realidade instigadora, provocadora.

Ter esperança hoje é beirar a loucura, digna de recuperação. Mais devo admitir que, no fundo, depois de entender aqui, “na carne”, o significado dessa palavra, até preferiria ficar mais uns dias para me tratar. Todos deveríamos.

Il sole sorge per tutti

Entrando nella regione in cui si trova la “Fazenda da Esperança, a São Paulo, non è difficile ammirare ciò che la natura presenta ai volontari, quelli in recupero e visitatori del posto.

L’indiscrezione per quanto riguarda le meraviglie della fauna e la flora locali può essere vista in altri svolti e che potevo prenderlo in particolare agli occhi di Monica.

Con forse 20 anni “, Moniquinha”, come viene chiamata dal personale della Fazenda, è una ragazza molto bella. Il volto fino, le labbra delineate, sorriso incredibile, ma niente in confronto al suo sguardo profondo, quasi ipnotico.

Accorgersi di lei tra le 120 ragazze che vivono nel centro femminile di recupero non è così difficile per le ragioni sopra descritte, ma questa è l’unica cosa che la differenzia dalle sue “sorelle”.

Gemella, è stata donata alla sua nonna, perché sua madre non era in grado di crearla. Monica ha vissuto in un ambiente ostile e dopo d’aver testemioniato l’assassinio di un zio è stata immediatamente inviata ad un orfanotrofio, dove ha incontrato la droga quando aveva 9 anni, un fatto che ben presto l’ha portato alla strada.

“Per ottenere la droga ho cominciato a rubare, prostituimi e con 12 anni ero già completamente dominata. Ho cercato il suicidio 2 volte “

Sì … ascoltare le testimonianze sconvolgenti (perché qui non sono descritte in dettaglio tutte le esperienze che Monica ci ha detto) non è raro in una posto di recupero dei pazienti, ma vedere la felicità nei suoi occhi e il sorriso Monica mi ha davvero commosso.

Dopo essere stata complice di un’omicidio, andare alla Fundação Casa (posto per i minorenni infratori) e sottoporsi a un secondo sovradosaggio quasi fatale, Monica si ritrovò in ospedale, dove lavoravano alcune suore, con alcune opzioni davanti a se: Scappare e morire uccisa dal traffico di droghe, tornare alla detenzione, morire a caso di un’altro sovradosaggio o cambiare vita. Intelligentemente ha scelto l’ultima opzione e lì è successo l’incontro con la Fazenda da Esperança.

In questo spazio armonioso, di belle case, edifici che riempono gli occhi, con abbondanza e, soprattutto, bellezza, Monica ha scoperto il valore della sua vita, il significato della parola “dignità” e dopo una forte esperienza, si è recuperata ed è ora una delle coordinatrici della casa che ospita altre ragazze.

Naturalmente, raccontato così, come lo sono le narrazioni romantica, sembra quasi un film. Ma non… lì ci sono state fatte esperienze negative. Gli abusi, le atrocità, rivelando la miseria degli esseri umani.

Fare queste esperienze può essere evitato? Impedito?

Qui ho capito il potere e l’importanza del lavoro sociale, vero “salvatore” di una società che non ha il supporto ed i diritti fondamentali, molto grazie alla indifferenza dei politici.

D’altra parte, ho anche capito che l’educazione ha un ruolo strategico in questo processo! E ‘da lì che si può dare un’altro significato ai “traumi”. Attraverso la conoscenza e le relazioni sociali, ci si conosci “l’altro” affinché sia possibile fare nuove scelte per attenuare la ricerca del senso della vita attraverso le strade sbagliate.

Comunque, avevo l’anima tranquilla soltanto quando mi sono alzato questa mattina e ho visto le nuvole che toccavano i monti dove mi trovo. Lì mi sono ricordato dal bello della vita, della natura, nelle relazioni, negli esseri umani.

Ancora una volta è venuto in testa il sorriso di Monica, la sua felicità di oggi, e la certezza che, come questo fenomeno meraviglioso che ho assistito stamattina, il sole sorge per tutti.

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