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Obama e o caminho para uma unidade mais perfeita

Desde a primeira vez que assisti Barack Obama discursar fiquei apaixonado pela maneira como o ainda candidato a presidente dos Estados Unidos partilhava suas ideias com seus compatriotas.

Os discursos de Obama apresentados no livro “Nós somos a mudança que buscamos” revelam muito dos seus ideais, valores e a visão de um país a caminho de uma unidade mais perfeita.

O livro mudou a maneira como eu vejo esse que foi um dos mais brilhantes líderes do século XXI . Ele transformou a minha admiração ingênua por Obama em um profundo respeito por tudo aquilo que ele realizou, apesar das incoerências.

… para mudar é preciso mais que dizer o que se pensa – é preciso ouvir também. Em particular, é necessário ouvir aqueles de quem discordamos e estar dispostos a entrar em acordo.

Pronunciamento na CERIMÔNIA de formaTura da universidade de howard, 7 de maio de 2016

O paradoxo da ascensão de Donald Trump logo após um líder como Barack Obama é no mínimo intrigante, e mostra que a democracia é um longo, complexo e tortuoso caminho, cheio de imperfeições e frustrações, mas que, mesmo assim, como diz o próprio Obama, é a melhor alternativa que temos.

Um aniversário repleto de conexão

De todos os aniversários que festejei até hoje, esse foi literalmente o mais conectado. Comemorar confinado mais um ano vivido não era o que eu desejava. Mesmo assim deu para colher algo de positivo daquele 23 de março.

Não consigo recordar outro aniversário em que tenha sido contatado por tanta gente. A atual crise global, por mais dramática e triste que seja, aproximou as pessoas dos mais diferentes contextos. A necessidade da reclusão também ampliou o contato, mesmo que virtual, entre colegas de trabalho, amigos e familiares. 

Ao olharmos com parcimônia, talvez seja possível perceber que a crise do Coronavírus nos permite diminuir o ritmo e, com isso, redimensionar a valor e o tempo que investimos nos nossos relacionamentos. O fim forçado da correria do dia-a-dia parece revelar com maior clareza a importância de exprimirmos empatia e gratidão. 

Enfim, o que se encaminhava para ser potencialmente um dia triste, tornou-se uma das mais memoráveis e profundas celebrações que vivi. O nosso olhar para a vida nunca mais será o mesmo depois do Coronavírus. Espero que a maneira como nos relacionamos também.

O grito

O grito

Há algumas semanas atrás perdi a cabeça e gritei (gritar mesmo!) com a minha filha de dois anos. Acho que posso dizer que fui uma criança, um jovem e sou um adulto muito amado. Claro que sofri algumas vezes com a violência de uma educação disciplinadora, mas isso não justifica a minha atitude com a pequena Tainá, ainda aprendendo a lidar com os próprios sentimentos e frustrações.

Comportar-me daquela maneira mexeu comigo por dentro. Foi mais uma descarada revelação da paternidade sobre mim e os meus limites.

É muito prazeroso e confortável perceber que tudo está sob controle. Ao menos para mim. Talvez por isso a consciência de ter perdido as estribeiras tenha me abalado tanto. O meu grito de descontrole me fez entender o real valor de uma vida equilibrada, ainda mais quando os filhos são pequenos e necessitam de energia extra dos pais para superar os desafios da primeira infância.

Aquele grito ecoou de volta para mim. Revelou-me um pouco mais quem sou e me ajudou a rever algumas das minhas escolhas fundamentais.

Equilíbrio

Cresci acreditando que as relações são essencialmente  complementares. O que nos falta buscamos no outro e assim conquistamos o almejado equilíbrio que é fonte de serenidade e segurança.

Foi a partenidade que me fez perder essa concepção perigosa de procurar a paz interior na relação com o outro. Filhos precisam de pais completos, não perfeitos, mas prontos para acolhê-los sem esperar nada em troca. 

Assim é necessário construir um equilíbrio sem muletas externas, mas no exercício cotidiano de acolhida paciente de si mesmo e de quem vive conosco. E haja energia!!

Estamos na último trimeste da chegada da nossa segunda filha. O barrigão da minha esposa é já uma evidência concreta de que logo a nossa primogênita não terá mais atenção exclusiva.

Essa passagem importante e traumática tem exigido muito de nós. É a perda do equilibrio conquistado no último ano. A grande descoberta para mim foi perceber que para reavê- lo tenho que refazer a minha escolha de amar sem pretender. Acolher respeitando o tempo do outro.

Copa fora do Brasil: Celebrando o futebol

Fale o que quiser, mas eu sou sim um entusiasta da Copa do mundo! Para falar a verdade, me entristece o discurso que tenta politizar o futebol de maneira reducionista, sem uma profunda reflexão sobre o potencial transformador que existe intrinsecamente nessa “plataforma”.

Para mim, futebol e política não se misturam. Jogadores, dirigentes até podem usar de suas posições no esporte para emitir declarações políticas, para serem embaixadores de uma causa – e respeito quem decide por essa postura. Contudo, o esporte tem um papel social que transcende tudo isso.

Desde pequeno, o futebol tem me proporcionado experiências e aprendizados que carrego sempre comigo. Muitas vezes ainda me vejo lendo os fatos e as dinâmicas da vida como se estivesse dentro da quadra de futsal ou dos gramados onde joguei. E não estou me limitando ao entendimento do espírito de equipe. O futebol também me ajudou a entender a importância de ser – quando necessário – o protagonista, de respeitar o adversário, acolher e aprender com a derrota, partilhar o sucesso e o fracasso, e tantas outras coisas. Como aconteceu comigo, no simples jogar, muitos jovens aprendem a partilhar, colaborar, respeitar, vencer e perder.

Não tenho dúvidas de que o futebol precisa permanecer primordialmente uma plataforma de educação, além de um instrumento de coesão social, de encontro. Hoje, quando penso no esporte, tenho em mente a seleção islandesa. É impressionante a energia positiva que ela tem gerado nos últimos dois anos. Sem tradição, o time foi buscar na identidade do seu povo o motor e a sinergia necessária para vencer as partidas. Dessa forma, time e torcida passaram a ser uma coisa só, ensinando e encantando o planeta, além de conquistar resultados históricos e, acima de tudo, nos ajudar a conhecer um pouco mais da cultura viking islandesa.

Que o futebol seja plataforma de aprendizado e de encontro! É isso o que eu desejo para essa Copa do Mundo. Em um planeta cada vez mais repleto de muros e barreiras, o futebol pode ser uma verdadeira ponte entre povos.

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