Author: Valter Hugo Muniz Page 34 of 240

Valter Hugo Muniz - Formado em Comunicação Social com ênfase em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de SP (PUC-SP) em 2009, concluiu em 2012 a “laurea magistrale” em Ciências Políticas no Instituto Universitário Sophia, na Itália. Com experiência em agências de comunicação, multinacionais, editoras e televisão é, atualmente, consultor de comunicação na ONG Arigatou International, em Genebra, Suíça. Com vivência de mais de cinco anos na Europa (Itália e Suíça), participou de trabalhos voluntários em São Paulo e na Indonésia pós Tsunami (2005), além de uma breve estadia na Costa do Marfim (2014). É fundador do escrevoLogoexisto.

2013: descobrindo um Brasil que agora é nosso | Valter Hugo Muniz

2013

Desde 1998 eu escrevo um resumo anual daquilo que vivi, para ter um registro dos anos, que passam tão rápidos e trazem tantas experiências e aprendizados. Olhar para esses textos, que agora chegam a 15ª edição, é fazer uma retrospectiva de METADE da minha vida. Mas, em 2014, eu começo uma nova fase, a dos trinta. Por isso, a partir deste anuário, não farei um resumo do meu ano, mas daquilo que nós vivemos em família, porque em 2013 o Brasil não foi meu, mas nosso.

2013: fim da áurea juventude e início da vida em família

Não me sinto velho, longe disso, mas sei que ter “vinte e poucos anos” é poder desfrutar de uma juventude descompromissada, livre, aventurosa e, principalmente, sadia. Em 2013, de um modo particular, eu e minha esposa vivemos assim.

Decidimos passar o nosso primeiro ano de casado no Brasil, meu país natal. Foi simplesmente fantástico estar próximo da minha família depois de mais de dois anos distante. Essa experiência me fez perceber o quanto a gente colhe aquilo que plantou. Explico abaixo.

2013A minha família não é perfeita, nunca foi, mas crescemos juntos, unidos. Festejando com simplicidade as vitórias e sofrendo com as dificuldades e derrotas de cada membro. Acho que 2013 foi um ano cheio de alegrias, principalmente por isso, pois nada é mais especial do que partilhar a nossa vida com as pessoas que a gente ama profundamente.

Um aceno especial vai para a nossa comunidade, feita da família alargada (primos e tios) e de amigos maravilhosos que, em todos os momentos, estiveram do nosso lado, fazendo da vida uma sucessão de experiências fantásticas, encontros, comunhões.

Um ano de muitas saudades

Por outro lado, em 2013, vivemos de saudades. Casamentos binacionais vivem constantemente esse sentimento, pois nunca as duas famílias estão próximas. Ou é uma, ou é a outra. Assim, do outro lado do Atlântico, deixamos de viver experiências e acompanhar de maneira assídua a realidade da nossa família europeia.

Sentimos um pouco essa “distância” quando voltamos para as festas de final de ano. Ao mesmo tempo em que foi fantástico reencontrarmo-nos e ver que, em geral, todos estão bem, vimos situações pontuais que talvez tivesse sido melhor acompanhar fisicamente próximos.

Um Brasil que agora é nosso

Eu sou brasileiro, paulistano, então 2013 foi um ano de retorno à minha casa. É difícil explicar o quanto foi bom pedalar pelas ruas dessa imensa metrópole, diariamente, para ir e voltar do trabalho. Poder desfrutar de inúmeras atrações culturais, infinitos serviços. Mesmo tendo morado em diferentes lugares do estrangeiro, ainda acho que São Paulo é uma cidade incomparável nesse aspecto.

Contudo, o mais especial disso tudo foi voltar a ser paulistano com a minha esposa. Crescida em uma cidade de 15 mil habitantes, eu tinha um certo receio em pensar se ela se adaptaria a essa imensa metrópole, duas vezes mais populosa que a sua pequena Suíça.

Surpreendentemente ela deu show. Trabalhou na periferia, aprendeu a pegar “busão”, metrô e trem lotado. Encarou a burocracia e a ineficiência das Instituições brasileiras da melhor forma possível. Por isso, posso dizer que o Brasil, São Paulo, não é mais o meu país, mas é nosso.

2014 – Um ano que promete

2013Não só pelo iminente hexacampeonato brasileiro e o vice Suíço, mas este novo ano certamente será muito especial. Muitas experiências maravilhosas nos aguardam, principalmente porque decidimos retornar ao Velho Continente para, agora, sermos família na pátria da minha esposa. Os últimos dois meses de 2013 foram de reflexão e achamos que seria importante fazer essa nova experiência, por motivos profissionais e familiares.

Não é fácil recomeçar a vida, deixando as seguranças e confortos que conquistamos com esforço e muito trabalho. Mas, de certa forma, nos sentimos levados a não nos acomodarmos e, enquanto tivermos força e coragem, ir ao encontro do outro, de diferentes culturas, realidades, perspectivas, para aprender a doar aquilo que aprendemos.

2013 foi maravilhoso, mas parece que 2014 será ainda mais. As escolhas estão aí para serem feitas e a Felicidade verdadeira, continuaremos a buscar, com simplicidade e na companhia de muitas pessoas amadas.

Povo brasileiro e a descoberta do que é melhor para todos

Povo brasileiro

Mais um ano começa.  Ano de eleição e não só de Copa do mundo! Porque esperamos que o #vemprarua de 2013 tenha nos ajudado a entender que precisamos construir um país melhor, não somente com conquistas futebolísticas, mas com escolas, hospitais e, acima de tudo, um projeto político que beneficie o povo.

Nos últimos meses, por motivos familiares, tive a possibilidade de sair do país e entrar em contato com pessoas e lugares onde o bem comum é uma realidade concreta. Não que não existam problemas sociais, mas é perceptível uma presença do Estado a serviço da população.

Conversando com um colega empreendedor, brasileiro, me dei conta de como tem crescido uma inversão de valores no que deveria ser o papel do Estado. Estamos mais preocupados com o bem estar individual, que em medidas que sejam focadas, sim, no indivíduo, mas como membro de uma comunidade.

Trabalhamos e, principalmente, pagamos nossos impostos, por isso é preciso exigir um Estado que proporcione serviços básicos de forma GRATUITA. Mas não, queremos um governo que “nos deixe em paz”. Uma administração publica que não atrapalhe, em vez de um sistema que, pelo contrário, exista para que vivamos melhores em sociedade.

O que o patriotismo da Copa pode ensinar

Povo brasileiroUma das lições que talvez se escondam na Copa do Mundo, ou melhor, nos valores que ela promove (ás vezes ás custas de uma estrutura exagerada, cara e irresponsável), é a sua capacidade de coesão por um objetivo comum.

Durante o ano, torcedores de diferentes times do Brasil estão divididos em preferências locais, mas, durante a Copa, movidos pelo patriotismo, todos se unem, para fazer parte de uma única grande torcida, pela seleção brasileira.  Mesmo que muitos não se importem com futebol, durante o evento internacional, grande parte dos brasileiros se envolve, assistindo os jogos, torcendo para que o país vença novamente. Não somos mais pró-Palmeiras, Flamengo, Sport, somos BRASIL.

Essa força de coesão, contudo, parece existir somente quando se trata do futebol. O patriotismo que o esporte promove poderia (deveria) ser incentivado também no contexto da política nacional, principalmente durante o ano de eleição.

Um governo para TODOS

Povo brasileiroDurante um mandato político as impressões e opiniões sobre uma determinada administração pública diferem bastante. Muitos acham que o governo deve privilegiar os pobres, de maneira assistencialista, outros acham que a melhor forma é facilitar o surgimento de empresas, enriquecendo quem já tem, mas permitindo que eles sejam geradores de empregos, ajudando quem não tem. Enfim. Muitas ideias e questionamentos que enriquecem o debate politico de uma sociedade.

Contudo, é fundamental que, no ano de eleições, seja criada, como na Copa do Mundo, uma profunda coesão nacional, um patriotismo para que todos, juntos, entendamos quem possui as capacidades e o melhor projeto para governar o país.

Abaixo a tentação do dilema

As diferenças ideológicas são inúmeras. Por isso é fundamental um debate maduro, colaborativo, que fuja da tentação do dilema. Um governo não deve governar para ricos, ou para os pobres; para os de direita ou os de esquerda. Um governo deve governar para TODOS.

O debate não serve para afastar as ideias contrárias, mas para trabalhar em busca de uma coesão (que não é uniformidade), um projeto comum que beneficie todos os brasileiros. As diferenças devem nos ajudar a pensar uma ideia de Brasil que responda aos interesses de cada cidadão, com um olhar especial para as prioridades e urgências.

Que em 2014 o patriotismo seja aproveitado para promover melhorias na nossa vida em sociedade e não simplesmente para torcer pela seleção, esquecendo de ficar atento à malandragem que está mais interessada no poder do que no serviço político.

Hospital: um local de vida, cura e morte | Rodrigo Delfim

Hospital

Madrugada de 30 para 31 de dezembro de 2013. Já estava de pijama quando recebi o chamado de uma amiga para levá-la a algum hospital devido às fortes dores que ela sentia no abdômen. Troquei de roupa, peguei o carro e a levei para um hospital público na região central de São Paulo.

Chegamos por volta da meia noite do dia 31 e saímos perto das 5 da manhã. Felizmente minha amiga está bem, apesar dos efeitos colaterais do remédio contra as dores no abdômen, que tiveram de ser administrados com outros medicamentos.

Hospital: terminal de vida e morte

Nunca gostei de entrar e ficar em hospitais. Quando fico doente, reluto bastante em ir a um e, uma vez dentro dele, não vejo a hora de sair e voltar para minha casa. Mas, virando a esquina e vendo um pouco além dessa impressão inicial, durante o tempo de espera, foi possível refletir sobre outros aspectos – positivos ou não – dos hospitais, do sistema de saúde em si e em como enxergamos o problema da saúde pública e da nossa própria.

Hospitais são como grandes terminais de vida e morte. Por eles passam, diariamente, pacientes internados, de passagem para consultas e para tratar problemas de saúde, parentes e amigos em busca de informações sobre entes queridos, entre outros. Nos hospitais, o alívio de um paciente que recebe alta, a alegria de um bebê que nasce e o choro da família que perdeu seu ente querido andam lado a lado.

Durante o tempo que passei na área de espera desse hospital vi pacientes serem internados e receberem alta. Vi pessoas indignadas com o atendimento recebido e expressando sua raiva com xingamentos de todo tipo. Vi uma mulher migrante (pelas feições devia ser boliviana) chegar às pressas à área de Obstetrícia porque estava em trabalho de parto. Pouco depois, me chamou a atenção o choro copioso de uma família inteira que acabava de saber da morte de um ente querido.

Saúde pública é um problema de todos

hospital-publico-rjNos tempos de faculdade de jornalismo, um professor disse durante uma de suas aulas que passar uma noite de plantão num hospital sempre rende uma bela reportagem – bastaria estar atento ao que se passava ao redor. Mas não apenas por isso: essa madrugada como acompanhante de paciente em um hospital público me permitiu ver como a vida é frágil e como as estruturas destinadas a tratar dos problemas de saúde da população nem sempre estão adequadas para essa tarefa.

Também é preciso ver o lado dos profissionais de saúde. Em vários hospitais, públicos ou privados, há falta de médicos e enfermeiros e sobrecarga daqueles que estão trabalhando. Há profissionais que chegam a fazer plantões de 24 horas, em uma atividade na qual um erro pode ser a diferença entre a plena recuperação de um paciente e a sua morte. Lidar com vidas deve ser extremamente gratificante, mas também envolve uma carga absurda de responsabilidade e estresse. Sem os meios adequados para exercer uma atividade tão importante, a situação do médico ou enfermeiro fica tão frágil quanto a do paciente.

Por esses e outros motivos, deve-se reivindicar um melhor sistema de saúde no país, seja ele público ou privado. Como cidadãos e potenciais usuários desse serviço, devemos estar atentos e prontos para lutar pelos nossos direitos. Hoje você está no sofá de sua casa assistindo televisão e pouco se importando com as mazelas vividas pela população; amanhã a situação pode se inverter e você estar na fila de um hospital, esperando por um atendimento que parece não chegar e receber um tratamento tampouco adequado para seu problema.

Em suma, é preciso virar a esquina do comodismo e da indiferença para ajudarmos a constituir uma sociedade cada vez mais justa e humana.

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rodrigo Viajo porque necessito, volto porque quero viajar de novo | Rodrigo DelfimRodrigo Borges Delfim, formado em jornalismo pela PUC-SP em 2009, trabalha atualmente na área de Novas Mídias do portal UOL. Interessado em Mobilidade Humana, Políticas Públicas e Religião, desde outubro de 2012 mantém o blog MigraMundo para debater e abordar migrações em geral. É também participante da Legião de Maria, movimento leigo da Igreja Católica, desde 1999.

Um Arsenal de Esperança e Solidariedade para o Natal | Rodrigo Delfim

Arsenal de Esperança

“Porque o mundo passa todos os dias pela porta da casa”. Essa é uma das frases usada pelo Arsenal da Esperança, entidade ligada à Igreja Católica e conhecida pelo apoio aos migrantes e refugiados que chegam a São Paulo, para convidar à Novena de Natal deste ano.

Para explicar: uma novena consiste em uma série de nove encontros para orações que antecedem uma grande festa, como o Natal – pode ser ainda dedicada, por exemplo, a um santo padroeiro. São muito comuns na Igreja Católica. como uma forma de reflexão e preparação para essas celebrações.

O objetivo dos encontros, que culmina com a comemoração do dia de Natal, hoje às 17h, é de colocar, juntos, brasileiros e migrantes de todo o mundo em um momento de reflexão, partilha das alegrias e preocupações trazidas diariamente pelos viajantes que chegam ao local.

Nos últimos dias, por meio desse encontro de orações, a instituição promoveu aos seus participantes (brasileiros e de outros países) uma pequena passada por Itália, Guiné Bissau e pela Terra Santa, entre outras escalas sem sair do lugar. Além dos locais descritos nos encontros, a nacionalidade dos participantes contribui para um ambiente pluricultural e de tolerância – virtudes tão necessárias em tempos de globalização e de contato direto e intenso com novas culturas, ainda que não recebam o devido valor atualmente.

O fato de ser um encontro religioso pode até despertar certa desconfiança no começo, de que tais instituições tenham como objetivo doutrinar os atendidos. Em verdade o que acontece é exatamente o contrário. O princípio básico é o acolhimento, não importando a crença ou origem do acolhido.

Arsenal da Esperança

O Arsenal da Esperança foi fundado em 1996 por Ernesto Olivero e Dom Luciano Mendes de Almeida. O local acolhe, diariamente, 1200 homens que se encontram em dificuldades devido à falta de casa, trabalho, alimentação, saúde e família – tanto brasileiros como imigrantes.

Endereço:

Rua Dr. Almeida Lima, 900 – Mooca – São Paulo (SP)

(próximo à estação Bresser-Mooca do Metrô)

(11) 2292-0977

www.arsenaldaesperanca.com.br

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rodrigo Viajo porque necessito, volto porque quero viajar de novo | Rodrigo DelfimRodrigo Borges Delfim, formado em jornalismo pela PUC-SP em 2009, trabalha atualmente na área de Novas Mídias do portal UOL. Interessado em Mobilidade Humana, Políticas Públicas e Religião, desde outubro de 2012 mantém o blog MigraMundo para debater e abordar migrações em geral. É também participante da Legião de Maria, movimento leigo da Igreja Católica, desde 1999.

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