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Valter Hugo Muniz - Formado em Comunicação Social com ênfase em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de SP (PUC-SP) em 2009, concluiu em 2012 a “laurea magistrale” em Ciências Políticas no Instituto Universitário Sophia, na Itália. Com experiência em agências de comunicação, multinacionais, editoras e televisão é, atualmente, consultor de comunicação na ONG Arigatou International, em Genebra, Suíça. Com vivência de mais de cinco anos na Europa (Itália e Suíça), participou de trabalhos voluntários em São Paulo e na Indonésia pós Tsunami (2005), além de uma breve estadia na Costa do Marfim (2014). É fundador do escrevoLogoexisto.

Casar é ser livre e feliz: reflexões sobre a liberdade na vida à dois

Casar

Casamento é uma experiência curiosa. É um exercício constante de autoconhecimento e de dilatar o coração para acolher o outro com seus limites e qualidades. Enganam-se os pessimistas libertários que pensam que casar é sinônimo de privação definitiva! Tem gente que acredita que deve se divertir, curtir a vida e somente quando já tiver feito, sozinho, tudo de bom possível,  é que vale a pena se casar.

A falácia do prisioneiro

CasarFalácia, por definição, é um raciocínio errado com aparência de verdadeiro. É verdade que as condições de vida individual se transformam, de maneira radical, após a união entre duas pessoas, completamente diferentes, mesmo que essencialmente iguais.

No casamento as decisões não são mais expressão de uma única vontade. Passa-se a negociar cada coisa pensando, em primeiro lugar, na família. Contudo, negociar as individualidades não é condenar-se à prisão, mas lançar-se em uma vida aventurosa, repleta de desafios constantes.

Quem relaciona o casamento à prisão é aquele que rejeita, de todas as maneiras, negociar. O individualista quer preservar os seus direitos, acima de tudo, rejeitando os “sufocantes” deveres que qualquer relação incute.

O pior de tudo isso é que existem muitas pessoas que decidem casar motivadas por interesses arbitrários sem algum sentido. Essa atitude é, porém, garantia de nulidade do casamento (ao menos no aspecto religioso), pois é uma união que não parte do desejo comum de viver junto e, negociando, construir um “novo”, fruto da soma e síntese das individualidades existentes.

Casar é ser livre e feliz

Hoje eu completo 13 meses de casado e, no próximo dia 8 de fevereiro, festejarei com a minha esposa 4 anos de união.

Nos últimos quatro anos eu concluí meu mestrado no estrangeiro e, minha esposa, a graduação. Trabalhei em projetos internacionais, participei de seminários e, minha esposa, trabalhou em uma organização não governamental na favela, na câmera de comércio Suíço-Brasileira. Viajamos pela Europa e pelo Brasil inúmeras vezes. Passamos muito tempo juntos, construímos muitas amizades com pessoas de diferentes lugares do mundo, estivemos próximos de nossas famílias. Infinitas experiências. Vividas juntos, mas de maneira livre, fantástica e, principalmente, feliz.

O ápice desta fase inicial, iremos viver daqui a duas semanas: realizaremos o sonho, individual e familiar, de passar alguns meses no solo sagrado do continente africano, na Costa do Marfim.

A liberdade está em viver pelo outroCasar

Difícil explicar o tamanho da nossa felicidade em poder viajar juntos para a África. Mais fácil é, contudo, explanar a respeito do que nos faz viver, mesmo casados, uma vida aventurosa e desapegada de coisas e pessoas.

Para nós, certamente, a liberdade está em viver, juntos, pelos outros, oferecendo cada experiência, conquistas, talentos, para a construção de uma sociedade melhor, mesmo que em “pequena escala”.

Desde o início do nosso caminho juntos percebemos que é esse o caminho da felicidade. Que não adianta vivermos preocupados com coisas que não dependem absolutamente de nós. O importante é fazermos a nossa parte com simplicidade e dedicação  e nos “abandonarmos” ao amor de Deus (ou Força), capaz de nos levar “lá onde a felicidade repousa”.

Casamento pode ser sim sinônimo de liberdade e aventura! Basta querer juntos e perceber que viver com “o outro” é, acima de tudo, um convite à plena felicidade.

Arte coletiva: contando muitas histórias juntos | Rafael Volpe

 Arte coletiva

A retrospectiva da arte sempre mostrou que a sua história não foi feita por um homem só. Na música, infinitas composições mostram diferentes olhares sobre um mesmo assunto e são geralmente feitas por um ou mais compositores, produtores, músicos e técnicos. Até mesmo para que um show possa acontecer, existem mais de 60 diferentes funções em uma só apresentação. A arte raramente acontece sozinha. Arte coletiva.

Dessa forma, no ano passado, também eu tive a oportunidade de criar arte na Oficina de Dj e Produção Musical da ONG AFAGO, na Zona Sul de São Paulo. Na oficina existem cerca de 80 adolescentes que, além aprender grafite e percussão com outros profissionais, puderam expressar a sua musicalidade através de dinâmicas, aulas de história da música, gravações, filmagens e apresentações para a comunidade.

Descobrir-se para descobrir o outro

Foi incrível perceber a vontade que os jovens tinham de querer dizer algo, mesmo sem saber exatamente o que. Portanto, era imprescindível explicar que a música pela música não era nada, era preciso criar união entre o grupo para que a arte coletivaacontecesse. A partir dessa coesão surgiu uma grande ideia: como a ONG fez 20 anos em 2013, que tal contar a história da comunidade? Foi então que muitos descobriram suas origens; a forma com que a comunidade deixou de ser uma favela para se tornar um bairro; as personalidades que fizeram história no passar dos anos; e os sonhos que muitos ali compartilhavam entre si.

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Após iniciarmos a produção da primeira música, ficou evidente a preferência de alguns ritmos como principal influência. Estava certo que falar sobre outros estilos seria um desafio interessante, pois a arte está no encontrar o novo. A turma adorou descobrir as músicas que se ouviam nos primeiros tempos da humanidade; ficou curiosíssima ao ouvir cada instrumento de uma orquestra; se sentiram verdadeiros Dj’s ao tocar em equipamentos profissionais, mas entenderam que não é tão fácil assim criar a arte em conjunto.

Para a segunda música que produzimos, partimos de uma sugestão dada pelos próprios alunos: já que metade da turma gosta de funk e a outra prefere rock, porque não juntar as duas músicas para também recriar aquela coesão que se formou no grupo? Sabendo que nós só tínhamos a ganhar com todos os elementos rítmicos e melódicos que existem nos dois estilos, partimos para a produção. O resultado é incrível:

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Arte coletiva: novas ideias que, unidas, geram novos caminhos

Essa mesma experiência de trabalhar tentando criar uma coesão entre pessoas de gostos diferentes, fizemos na escolha do repertório da festa de formatura que estava por vir na comunidade. Você consegue imaginar uma festa na periferia? Caso esteja pensando algo pejorativo, acabe com qualquer preconceito nesse instante, pois aquela foi uma das melhores festas que eu já participei. Com alegria, muita animação, sem álcool, sem palavrões e preconceitos, nossa playlist fez sucesso. Tentamos agradar a todos passando por todos os ritmos e quem comandava as “pick-ups”* eram os próprios adolescentes.

A aventura de 6 meses com os jovens da AFAGO foi um importante aprendizado para todos e ajudou-nos a entender que, quando ouvimos o outro com atenção, fazemos dele uma parte de nós mesmos, criando a arte coletiva, feita por todos, pensada por todos e, principalmente, para todos.

O caminho da ostentação, tão difundida pelo funk e pelo hip hop, que tem crescido na periferia, criou a fútil tendência a agregar o valor de pessoas ao dinheiro, a joias e os bens materiais. Essa concepção, que também era muito utilizada pelos jovens da ONG, foi, aos poucos, se transformando em “ostentação” da arte coletiva, da vida e do respeito pelas conquistas que fizemos ali.

*O equipamento básico de um disc jockey, mais conhecido como DJ, é composto de dois toca-discos e um mixer – aparelho que permite que duas músicas toquem sincronizadas. Instrumento típico das pistas de dança, foi a pickup que tirou os DJs dos estúdios de gravação e de rádio para roubar a cena das discotecas na década de 1970. Com o crescimento da música eletrônica, os DJs fizeram a festa misturando estilos e pedaços de canções para criar composições próprias. Até os anos 80, a discotecagem era feita apenas com discos de vinil, mas hoje já dá para fazer barulho com CDs e até arquivos MP3.

volpe

Rafael Volpe – Formado em Piano Popular pela Fundação das Artes de São Caetano do Sul (FASCS) e Comunicação Social com ênfase em Radialismo pela Universidade Metodista de São Paulo(UMESP). Trabalha como Produtor e DJ em eventos, além de realizar oficinas musicais em projetos sociais. Já trabalhou em produtoras musicais e em emissoras de televisão, quanto também se especializou em Composição Musical pela Escola Internacional OMID de Música e Tecnologia.

 

Segunda temporada de Newsroom: continuando a desvendar o telejornal

segunda temporada de Newsroom

Em setembro de 2012 eu fiz um post sobre a série televisiva “Newsroom”, uma das mais interessantes obras a respeito da vida e dos dilemas da produção telejornalística.

Há poucos dias, terminei de ver a segunda temporada de Newsroom e, novamente, me surpreendi com a capacidade do diretor Aaron Sorkin de mostrar tão bem alguns aspectos que só são possíveis de perceber “de dentro” de um jornal.

Segunda temporada de Newsroom

The-Newsroom-1a-temporada-14Na segunda temporada de Newsroom as questões importantes do jornalismo ainda são debatidas, mas com uma diferença: elas não estão mais diluídas em contextos interessantes e por natureza da profissão, variáveis.

Um (novo) protagonista da série é Jerry Dantana, ambicioso produtor sênior de Washington que recebe uma dica que pode “fazer carreiras e acabar com presidências”. A dica é que na operação Genoa, o governo americano usou Gás Sarin em civis para uma extração de soldados capturados

Na série, a investigação sobre a operação Genoa toma toda a segunda temporada e mostra como um fato polêmico precisa ser profundamente apurado, antes de ser noticiado. Mesmo assim podem ser noticiadas mentiras.

Os personagens de The Newsroom são dotados de uma inteligência sem par, de um idealismo e de um respeito profundo pelo jornalismo. Todos eles possuem uma leveza que contrasta com a gravidade daquilo com que eles lidam no dia a dia, fato que, porém, foi alvo de críticas por ser considerado um retrato hipócrita do jornalismo.

O fim de Newsroom

The-Newsroom-1a-temporada-10Mesmo com Jeff Daniels, que interpreta o âncora Will McAvoy, ganhando neste ano um Emmy de melhor ator em série dramática, a HBO anunciou, na última semana, o cancelamento da aclamada série dramática de Aaron Sorkin, após sua terceira temporada.

Acho uma pena porque a série é realmente um interessante modo de conhecer o que existe por trás das câmeras televisivas. Como profissional ligado ao mundo da comunicação de “massa” vibrei com cada capítulo da série, mesmo se, para os críticos, alguns deles não faziam muito sentido. De qualquer forma, indico muito aos interessados no jornalismo televisivo.

Vídeo do site Omelete sobre a série:

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Vencer: um sentimento que nos une | Valter Hugo Muniz

Vencer

Uma das lições mais duras que o futebol me ensinou foi aprender a perder. Continuei, porém, até hoje, não gostando muito de derrotas, mas já as aceito, principalmente, como possibilidade de crescimento e para saber que não sou superior a ninguém.

Mas, não foram somente lições dolorosas que o esporte mais popular do mundo me deu. Graças ao futebol fiz muitos amigos. Pessoas com quem aprendi a partilhar as conquistas e chorar as derrotas. Companheiros que me ensinaram trabalhar em equipe e me ajudaram a crescer em generosidade, paciência, coragem.

Valores para a vida

VencerInúmeros valores importantes o futebol me ensinou. Saber perder, querer vencer.

E vencer, maravilhoso sentimento, nunca foi para mim motivo de me mostrar aos outros! Cada vitória na quadra ou no campo me ajudou a perceber minhas capacidades e talentos. Que o esforço e a perseverança são ingredientes fundamentais para o triunfo.

O futebol me fez perder o medo de meus limites e me mostrou a importância de me focar nas qualidades, na alegria de participar, competir, de viver.

Cristiano Ronaldo: feliz por vencer, como todos nós

Independentemente se acho que ele tenha um comportamento um tanto quanto arrogante, ontem, eu também me emocionei com Cristiano Ronaldo e, de certa forma, me identifiquei um pouco com ele.

Quando as conquistas são difíceis, quando o esforço precisa ser maior, porque a vitória não vem “de mão beijada” mas depende somente de nós, vencer significa muito e o reconhecimento é motivo de emoção.

Foi assim quando concluí a faculdade, o mestrado, quando me casei. Só Deus (e talvez minha família) sabe o que foi preciso viver para subir cada degrau, conquistar cada vitória pessoal.

Descobertas, lutas, fracassos e lágrimas, muitas lágrimas. Tristeza por não encontrar a Felicidade que sempre buscava. Mas jamais me dei por vencido. Continuei lutando, acreditando que a fidelidade naquilo que acredito, me colocaria no caminho certo.

Bom… claro que a Bola de Ouro é uma conquista profissional importante, mas acho que a família é algo maior, uma conquista muito mais significativa.  Isso não quer dizer que não admiro o Cristiano Ronaldo, pois ele é hoje o melhor jogador de futebol do mundo de forma mais que merecida.

A emoção da vitória nos faz saborear uma humanidade que nos liga como seres iguais, que nos une no desejo de sermos reconhecido pelo que somos, o que fazemos e deixamos.

Desumanização dos direitos: o escandaloso caso de Pedrinhas

Desumanização dos direitos

Há dois dias tenho lido a respeito dos crimes horrendos que foram praticados no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão. Muitos sentimentos misturados: revolta, tristeza, espanto, medo, indignação, vergonha. Acredito que chegamos a um estado de animalização do ser humano que, certamente, nos coloca entre os principais países promotores da desumanização dos direitos.

Desumanização dos direitos: a culpa é de quem?

Sempre que observo esse tipo de situação que envolve a tal “bandidagem”, procuro entender o que de fato leva pessoas a cometerem atos tão brutais, como cortar as cabeças de seus semelhantes. A resposta, eu penso, é que não nos vemos mais como um “grupo de iguais”. Eu, cidadão da classe média, urbano, instruído e empregado, não sou igual a um detento do extremo norte ou das periferias, rude, ignorante, marginal.

Bom. Não é assim que pessoalmente me vejo em relação aos outros brasileiros, mas temo que seja o modo como a sociedade, no geral, vê os socialmente marginalizados, principalmente os que estão geograficamente distantes.

A falta de coesão social ,que gera a busca coletiva a um bem comum, talvez cause o escândalo temporário diante da criminalidade, mas, de forma alguma, cria mecanismos para impedir as inúmeras violações dos direitos humanos.

No caso de Pedrinhas, eu culpo tanto a sociedade, como o Estado. A sociedade, porque ela pouco se importa com quem é privado dos direitos básicos, estando mais preocupadas com a manutenção do próprio bem estar individual. O Estado porque, ocupado em usufruir dos privilégios possibilitados pelo poder, seus representantes fecham sistematicamente os olhos para a animalização crescente da sociedade.

Estado absoluto do Maranhão

Desumanização dos direitosÉ um absurdo pensar que, em meio ao caos em presídios, o Estado do Maranhão previa gastar R$ 1 milhão para alimentar a família Sarney e seus convidados até o fim do ano, nas duas residências oficiais.

Não é possível aceitar esse tipo de coronelismo absolutista, que dá privilégios monárquicos aos detentores do poder e ignora a situação social de um Estado que tem:

“O Maranhão, sob o domínio dos Sarney por décadas, não só permaneceu nas piores posições nos indicadores sociais, mas também viu suas terras serem desmatadas e poluídas, latifúndios crescerem, trabalhadores serem escravizados e assassinados, comunidades tradicionais serem ameaçadas e expulsas, a educação ser sucateada, os meios de comunicação ficarem concentrados nas mãos de poucos políticos”, diz o artigo do blog do Sakamoto.

A imprensa que promove o pânico

O contexto político do Maranhão é perfeito para o absurdo que vimos nos últimos dois dias. Isso mesmo, VIMOS! Graças a publicação na homepage da Folha, quem quiser ler a matéria sobre as decapitações no presídio do Maranhão, pode assistir um vídeo com corpos e cabeças rolando, em meio as risadas e xingamentos dos presos.

O registro feito no Complexo Penitenciário de Pedrinhas publicado e assinado pela TV Folha não é jornalismo. Essas imagens deveriam ser entregues para polícia e não mostradas de maneira escrachada, no site de um dos maiores jornais do país. Um desserviço digno de uma dura punição.

Como jornalista, é difícil aceitar que essas imagens tenham sido mostradas desta maneira. Este crime pode (e deve) ser noticiado, mas não com imagens que, não só promovem o ódio (entre as facções criminosas) e o pânico (na sociedade), como não concorrem para uma maior consciência ativa que leve a resolução pontual do problema.

Desumanização dos direitos: o que eu tenho a ver com isso?

Caso a sua resposta a essa pergunta seja: nada, fique atento, pois um dia a animalização social pode bater na sua porta e levar brutalmente alguém de sua família.

Ignorar socialmente qualquer tipo de marginalização produz a cultura da “justiça pelas próprias mãos”, em que os excluídos, sem voz e direitos, buscam, por meios perigosos,  a própria sobrevivência.

Atos brutais em relação ao outro são fruto de uma sociedade desigual, em que não existe mais a exigência de coexistir, de buscar o bem comum e lutar coletivamente pelos direitos daqueles que não o mínimo.

“A cada dois dias, morre assassinado um preso no Brasil. A cada dia, morrem assassinados 137 brasileiros fora das cadeias. E o que se ouve é apenas o silêncio cúmplice. O tema nem sequer está na agenda dos políticos”, diz o artigo de Reinaldo Azevedo.

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