Author: Valter Hugo Muniz Page 28 of 240

Valter Hugo Muniz - Formado em Comunicação Social com ênfase em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de SP (PUC-SP) em 2009, concluiu em 2012 a “laurea magistrale” em Ciências Políticas no Instituto Universitário Sophia, na Itália. Com experiência em agências de comunicação, multinacionais, editoras e televisão é, atualmente, consultor de comunicação na ONG Arigatou International, em Genebra, Suíça. Com vivência de mais de cinco anos na Europa (Itália e Suíça), participou de trabalhos voluntários em São Paulo e na Indonésia pós Tsunami (2005), além de uma breve estadia na Costa do Marfim (2014). É fundador do escrevoLogoexisto.

Sour Cristina e o testemunho de uma Igreja que quer se renovar

Sour Cristina

Estando dessas partes do Atlântico, pude acompanhar ao vivo a final do programa The Voice Itália. Essa edição, em particular, ficou famosa em todo o mundo pela presença inusitada de uma jovem freira que, com seu talento, conquistou a simpatia dos italianos ao ponto de vencer o programa musical.

A humanidade dos consagrados

Sour CristinaComo católico, admito que fiquei contente em ver uma freira participando de um programa leigo e de grande audiência. Parecia-me uma ótima oportunidade para a quebra dos estereótipos atribuídos àqueles que abdicam de “controlar”, individualmente, a própria vida para viver, em comunidade, por Algo Maior.

Por sorte, além do contato constante com os consagrados do Movimento dos Focolares, durante meus estudos na Itália, tive a oportunidade de conviver com uma freira burundiana que me fez experimentar o afeto e amizade de alguém que se tornou, profundamente, minha “irmã”.

Freiras, padres, consagrados em geral são seres humanos como todos nós. Sonham, desejam, conquistam, sacrificam e perdem. Talvez a “santificação” que lhes é conferida – principalmente por quem não os conhece pessoalmente – é consequência do estupor diante da renúncia consciente e do testemunho de vida que eles promovem.

Suor Cristina: o fenômeno midiático

Suor Cristina é a prova concreta da surpresa coletiva ao ver na mídia uma jovem freira feliz e, acima de tudo, talentosa. Geralmente, atribui-se à vida consagrada pessoas feias, infelizes, fracassadas. A jovem italiana quis mostrar que isso não é verdade, mas a maneira como tudo aconteceu foi bem constrangedora.

Talvez por ingenuidade, Sour Cristina e suas coirmãs não imaginavam que hoje o mundo inteiro estaria falando delas. Por isso, provavelmente, aceitaram participar de um programa como o The Voice. Da mesma forma, a produção do programa musical pareceu não mensurar as consequências de terem aceitado a participação freira.

[youtube=https://www.youtube.com/watch?v=nJYNj6cZo10]

Contudo, ao abrir sua boca, Suor Cristina não só mostrou seu grande talento com o microfone em mãos, mas começou uma experiência inusitada, que só terminaria ontem, na final da competição musical.

Pessoalmente, sempre que assistia a uma das apresentações da jovem freira, ficava feliz com o seu testemunho midiático. No fundo, acreditava que a sua presença iria estimular o apreço respeitoso pela escolha de vida da jovem consagrada.  Erro meu. Ontem, mesmo depois de mais de um mês convivendo com os treinadores e o staff do programa, não faltaram colocações preconceituosas, estereotipadas e até ofensivas relacionadas à freira.

Erros e acertos de uma experiência nova

Suor CristinaDe certa forma, acredito que, em linhas gerais, a participação de Suor Cristina no The Voice foi um movimento mal calculado, equivocado, pois, no fundo, a freira italiana estava participando de uma competição sem querer competir, sem o – aparente – desejo de ganhar.

A jovem Sour Cristina queria, acima de tudo, testemunhar, com seu talento, a alegria da sua escolha como consagrada; mostrar que escolher Deus não é abdicar dos prazeres e alegrias pessoais. Ambos são potencializados no doar-se aos outros. Mas, o The Voice é uma competição. É um programa feito para dar a oportunidade a cantores talentosos de começar a própria carreira.

O fato de Suor Cristina abdicar da vitória ocultou o motivo pelo qual o programa realmente existe. Isso ficou evidente no seu último episódio: a freira, ao receber o troféu de vencedora, nem sequer quis segurá-lo por muito tempo. Parecia que uma exaltação pessoal esconderia o verdadeiro motivo pela qual ela estava ali cantando. Em seguida, de maneira inesperada, ela recitou um Pai Nosso “ao vivo” com aqueles – poucos – que se dispuseram a acompanhá-la.

O momento um pouco constrangedor na “apoteose” do The Voice me fez pensar no modo como o mundo religioso deseja se fazer presente na sociedade. A mesma Suor Cristina disse, inúmeras vezes, que a sua decisão de participar do programa era impulsionada pelo convite do Papa Francisco aos cristãos para “saírem dos conventos” e evangelizaremo mundo.

Aparentemente, foi isso o que Suor Cristina fez, só não sei se era a maneira correta. Isso só o tempo poderá dizer. Mas, como o Papa Francisco disse:

“prefiro uma Igreja acidentada, ferida, enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar as próprias seguranças”.

Paternidade na família binacional: um desafio que exige unidade

Paternidade

Sempre ouvi dizer que a natureza é sábia quando se trata de gerar uma nova vida. No caso de nós, seres humanos, essa afirmação parece ter um peso ainda maior. Temos 9 meses para nos prepararmos para o desabrochar de um novo Ser e, principalmente, para compreender que, com a paternidade, a nossa existência nunca mais será a mesma.

O medo natural da paternidade

XI Mês de valorização da paternidadeFalar de gravidez, nos primeiros meses da nossa aventura como família binacional, era algo que, pessoalmente, me dava medo. Admiro todos aqueles que têm a coragem de, no início da vida à dois, já se sentirem prontos a acolher uma nova vida. Entretanto, sempre considerei importante dar-se tempo um ao outro, até alcançar o equilíbrio na nova vida juntos e, assim, viver com serenidade, as grandes mudanças que um filho gera.

O temor da paternidade cresceu quando vi muitos casos de famílias que se despedaçaram porque o casal não havia se “preparado” bem para essas grandes mudanças. (Para mim, é um absurdo atribuir ao nascimento de uma criança a incapacidade dos pais de viverem unidos essa nova experiência em família).

Certamente, eu nunca pensei que existe um tempo material preciso para o exercício da paternidade, mas acho fundamental um crescimento humano e espiritual do casal para que essa nova vida encontre uma realidade única. Para isso, muitas conversas e estratégias concretas devem ser tratadas (e depois refeitas).

Abertura gerada pela vida junto

PaternidadeSurpreendentemente, nos últimos meses, senti que meu coração começou a se abrir para a possível chegada de uma nova vida. Dessa maneira, estou descobrindo que a paternidade é – do ponto de vista cristão – uma graça, um dom de Deus. Estar fisiologicamente pronto ou ter a vontade curiosa de exercê-la, não parece dizer muito. É preciso desenvolver uma disposição irremediável para a árdua e divina “missão”da paternidade.

Foi o passar do tempo e a vivencia de inúmeras experiências como casal que apascentaram o meu coração. A vida, inicialmente “só” à dois, é uma saudável oportunidade de nos conhecermos sempre mais e também a pensar qual o tipo de ambiente queremos construir, para quando formos acolher uma nova vida. O que antes era sinônimo de preocupação e temor, hoje vivo com tranquilidade, serenidade.

Desafios na ótica da família binacional

Na nossa vida como família binacional, a instabilidade financeira acaba sendo também um fator que nos impulsiona à decisão de esperar para ter um filho. Nenhum pai ou mãe, em sã consciência, deseja dar menos daquilo que recebeu aos filhos. Por isso, o exercício efetivo da paternidade exige ressalvas, um planejamento financeiro, mas pensar só nos aspectos materiais pode levar a um condicionamento perigoso.

Em seguida, vem a questão das línguas que ensinaremos, de qual conceito de “mínimo” adotar, onde viver e etc. Mas, após a experiência que vivemos juntos na África, completamente privada dos luxos, percebemos que o que realmente conta para a saúde física e mental de um indivíduo é a sua inserção comunitária. Claro que, em se tratando da África que conhecemos, esse raciocínio exige alguns esclarecimentos no que diz respeito a saúde física, mas sem os exageros que o Ocidente parece impor.

É isso que, juntamente com o crescente desejo de gerar uma nova vida, temos procurado entender. Agora sem tantos medos – mas não definitivamente privados deles –  e mais seguros da unidade que construímos nesse ano e meio de vida juntos.

Holocausto Brasileiro: a certeza de que somos todos loucos

Holocausto Brasileiro

A loucura nunca foi um assunto corrente na minha vida. Sempre considerei complicado, em um mundo tão multidimensional, encontrar um padrão único de comportamento que seja admitido como “normal”.  Em um certo sentido somos todos loucos, pois, para sobreviver às rápidas mudanças sociais e culturais é preciso desenvolver uma capacidade de transcender constantemente as normas do “status quo”.

Por outro lado, nunca havia pensado que, no Brasil (e talvez em todo o mundo), o tratamento dos seres humanos considerados “socialmente incompatíveis” teria uma história tão trágica ao ponto de ser nominada “holocausto”.

Holocausto brasileiro: um crime coletivo

Holocausto Brasileiro

Foi só me debruçar nas primeiras páginas do livro da colega jornalista, Daniela Arbex, que rapidamente pude perceber, que a história que estava sendo contada, era um drama sem precedentes, desconhecido pela maioria dos brasileiros.

O livro-reportagem conta a barbárie e a desumanidade praticadas, durante a maior parte do século XX, no maior hospício do Brasil, conhecido por Colônia, situado na cidade mineira de Barbacena.

As palavras de Daniela denunciam um genocídio cometido, sistematicamente, pelo Estado brasileiro, com a conivência de médicos, funcionários e também da população, que ativa ou passivamente contribuíram para uma das maiores violações dos direitos humanos que se tem registro na história do Brasil.

Os números desse massacre são assustadores: pelo menos 60 mil pessoas morreram entre os muros da Colônia. Em sua maioria, internadas à força, sem diagnóstico de doença mental. Eram epiléticos, alcoólatras, homossexuais, prostitutas, meninas grávidas violentadas por seus patrões, esposas confinadas para que o marido pudesse morar com a amante, filhas de fazendeiros que perderam a virgindade antes do casamento. Enfim, gente que se tornara incômoda para alguém com mais poder.

Somos todos loucos. Fato!

[youtube=https://www.youtube.com/watch?v=FHUTKRpU0bg]

Lendo as páginas do Holocausto Brasileiro, não tive dúvidas de quem eram os verdadeiros personagens privados de juízo moral: agentes de saúde, políticos, familiares e outros cidadãos comuns que, visando a resolução de uma situação constrangedora, escolheram como saída a desumanização de seus iguais.

Não acredito que lidar com os problemas sociais seja algo fácil. Mas, sem dúvidas, a integridade do ser humano precisa nortear as estratégias de resolução.

Nós, como sociedade, não podemos jamais optar pelo silêncio diante de qualquer violação dos direitos humanos, sejam elas nas prisões, nos centros de sócio educação para adolescentes ou nas favelas â mercê do tráfico de drogas. Claro que, para isso, devemos conhecer esses direitos.

“O descaso diante da realidade nos transforma em prisioneiros dela. Ao ignorá-la, nos tornamos cúmplices dos crimes que se repetem diariamente diante dos nossos olhos. Enquanto o silêncio acobertar a indiferença, a sociedade continuará avançando em direção ao passado de barbárie. É tempo de escrever uma nova história e de mudar o final”.

É forte, mas verdadeiro: “a história do Colônia é a nossa história. Ela representa a vergonha da omissão coletiva que faz mais e mais vítimas no Brasil”.

Genève: 200 années à la Confédération helvétique

Genève

Mes 100 clicks du défilé à Genève

Genève. La période 1814-2014 fut d’une richesse extrême, notamment dans les domaines scientifique, culturel, social, technique, artistique, etc. Comment lui rendre un juste hommage? GE200.CH a pris le  pari de retenir des éléments représentatifs de cette époque, qui défileront dans un ordre presque chronologique. Présente sur les marches du Grand Théâtre, la Musique de la Légion étrangère jouera une aubade au passage du défilé. La Compagnie des Vieux Grenadiers (1749) et le Contingent des Grenadiers fribourgeois (1914) donneront le départ de ce défilé annonçant l’arrivée des 11 tableaux. (Tribune de Genève)

Cette ma nouvelle citè a commencé les fêtes pour les 200 années de son entrée à la Confédération helvétique. Voici mes 100 clicks de la parade d’hier.

Photos by Valter Hugo Muniz no photoshop

Carreira profissional: desafios e sacrifícios da família binacional

Carreira profissional

Acordar cedo – por iniciativa própria – mesmo sem ter de sair para trabalhar. Depois, durante o dia, ocupar-se com projetos profissionais pessoais, intercalando-os com os cuidados da casa (lavar roupas, cozinhar, limpar) e o estudo da língua. Essa tem sido, em resumo, a minha vida nestes quase dois meses de Europa.

Quem lê a descrição acima, pode talvez julgar de forma errônea esse momento da minha vida, talvez imaginando-me frustrado, desmotivado, por aquilo que vivo. Acontece que, a dinâmica de um casal binacional exige alguns sacrifícios específicos. Porém, essas “renúncias” não me fazem, de jeito algum, uma pessoa menos realizada, mesmo se, em alguns momentos, outros aspectos importantes da minha vida acabam ficando de lado.

O sonho da carreira profissional e sonho da família

Carreira profissionalSempre soube o que queria “ser quando crescer”: jornalista. Quem acompanha o escrevoLogoexisto, ao longo desses quase oito anos de existência, sabe bem o porquê: transformar sentimentos, reflexões e percepções em palavras é o maior dom/presente que posso oferecer às pessoas que leem o que eu escrevo.

Todo o meu caminho profissional até agora serviu para desenvolver minhas capacidades e, entre descobertas e experiências, me dei conta do quanto me satisfaz ver que os meus talentos, quando partilhados, tocam os corações das pessoas e fazem com que elas reflitam sobre outras possibilidades de viverem a vida, fazerem escolhas, serem felizes e gerarem felicidade.

Por outro lado, não vou negar que jamais fui um homem de carreira profissional. Isso não quer dizer que não tenho ambições neste importante aspecto da minha vida. Claro que sou ambicioso! Mas, para mim, a satisfação pessoal sempre esteve intrinsecamente ligada ao sonho de viver  a minha vida EM FAMÍLIA.

Pessoalmente, tenho feito experiências profissionais e intelectuais muito satisfatórias. Todas elas me fizeram crescer e descobrir como é fundamental encontrar uma atividade onde possamos fazer frutificar nossos dons para o bem da humanidade e, claro, para a nossa felicidade. Contudo, chegou um momento em que eu ansiava viver tudo isso “acompanhado”. Era uma força “interior” que me dizia “é impossível ser feliz sozinho”.

Assim, depois de (re)encontrar a Flavia – minha esposa – decidi me casar e dali em diante a minha vida começou a ser desenhada junto à dela, o que me levou a ter de fazer alguns sacrifícios, mas que, por outro lado, me fazem muito mais pleno.

A ilusão de uma carreira profissional perfeita x Viver por um Projeto Maior

DSC_0023Mesmo estando em situações profissionais aparentemente fantásticas – como trabalhar na equipe do programa Roda Viva, da Tv Cultura – percebi logo que não existe uma carreira perfeita.

Independentemente do trabalho que se faça, para que ele dê um resultado visível importante, é necessária muita dedicação, inúmeros sacrifícios e os frutos nem sempre são os esperados. Além disso, existe também a rotina de trabalho repetitiva que, mesmo se com variantes, encontra rapidamente uma mesmice, que se renova mais por conta das motivações interiores do que por aspectos exteriores.

Por isso, juntamente com a minha esposa e neste momento em que talvez não temos os trabalhos “perfeitos” no que diz respeito as nossas carreiras, entendemos que, acima de tudo, é fundamental fazer sempre algo que esteja de encontro com o nosso Projeto Maior: levar a felicidade que construímos em família, às pessoas que encontramos. Um aspecto importante é também ter trabalhos que, mesmo não considerados “ideais”, incorporem a essência desse Projeto, como possibilidades de auxilio concreto às pessoas.

A experiência que fizemos, recentemente, com o “Juntos rumo à África” é um legado fantástico para a nossa família. Lá em Man, na Costa do Marfim, desenvolvendo trabalhos simples, nem sempre ligados a nossa área de atuação profissional, podíamos sempre doar algo às pessoas que encontrávamos, deixando um pouco de nós, dos nossos talentos, para o Bem (=felicidade) daquela comunidade.

Isso nos faz viver essa nova fase, aqui na Europa, repleta de desafios e sacrifícios, com alegria. Talvez com um pouco menos euforia, mas procurando, em cada momento, sermos felizes e gerarmos felicidade.

ele

Mais textos de “Amor Binacional” CLIQUE AQUI

Page 28 of 240

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén