Author: Valter Hugo Muniz Page 119 of 240

Valter Hugo Muniz - Formado em Comunicação Social com ênfase em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de SP (PUC-SP) em 2009, concluiu em 2012 a “laurea magistrale” em Ciências Políticas no Instituto Universitário Sophia, na Itália. Com experiência em agências de comunicação, multinacionais, editoras e televisão é, atualmente, consultor de comunicação na ONG Arigatou International, em Genebra, Suíça. Com vivência de mais de cinco anos na Europa (Itália e Suíça), participou de trabalhos voluntários em São Paulo e na Indonésia pós Tsunami (2005), além de uma breve estadia na Costa do Marfim (2014). É fundador do escrevoLogoexisto.

Pistões naturais

Com movimentos ritmados os pistões naturais me levam todos os dias ao trabalho

E não é um caminho curto, nem mesmo longo,

mas é por meio deles que posso ver o mundo de uma ótica incomum,

imperceptível aos meus iguais.

Enquanto de carro existe só o eu,

no transporte público o nós,

sobre a bicicleta o foco é o mundo.

E nos movimentos ritmados de pernas vejo motociclistas burlarem as regras de trânsito

O taxista passar veloz ao meu lado, sem preocupação com a minha segurança

Ônibus, carros, todos apressados para buscarem o seu espaço na Grande Máquina.

Eu, não.

Uso os pistões naturais para exercitar-me, o corpo, a alma e os olhos.

Para ver que no mundo existem mais que carros, que a poluição, que o tempo.

Existe uma vida que passa, quase no mesmo ritmo decidido dos pistões naturais.

Mas que, se não vivo, o tempo leva embora.

E continuo infeliz, ou comodamente igual aos meus iguais.

Sou quando me dôo

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“Você está rindo de mim ou para mim?” – pergunta uma das voluntárias do Rango, uma senhora sorridente, linda, daquelas bem vovozinhas.

A vida passa e sempre redescubro o amor como uma bomba de fissão nuclear, infinito, impossível de controlar e, sobretudo, descrever.

Pode parecer insensato, mas passar uma singela hora do meu sábado ali, segurando uma bandeja com melancias cortadas, carregando outra com 39 copos de plástico com suco (acho que de groselha), me constrangia a sorrir.

Cada vez mais coisas óbvias (para mim) precisam ser revividas para que eu reencontre sentindo à minha existência. A principal delas é perder tempo pelas/com as pessoas.

Àquela hora “gasta” no Rango me deu uma felicidade que, de certa forma, banaliza a palavra e faz com que ela talvez mereça outro adjetivo: PROFUNDA… PROFUNDA FELICIDADE.

Antes de encontrar com aquela senhora que “encasquetou” com o meu sorriso, passei pelos portões da Igreja Bom Jesus dos Passos e saudei a Maria, o Marcelo, conheci o Vinícius, cumprimentei todos aqueles que, como disse um irmão de rua, estão há tempos dando uma “assistência” pro pessoal.

Enquanto olhava aqueles seres humanos recebendo as marmitas com comida quentinha, copos de suco e as melancias, dizia dentro de mim… é gente meu Deus… é gente…

Gente sofrida. Uma encruzilhada de histórias misteriosas, e eu me interesso por todas, mas admito ainda um certo receio deste mundo desconhecido e da minha incapacidade humana de acolhê-lo.

“Oh meu! Cê ta louco, ta mexendo com a minha mãe?” – acabei deixando de lado minhas divagações porque o Vinícius, filho da Maria, foi querer tirar satisfação com um dos irmãos de rua, que havia jogado o copo de suco nela, por motivos desconhecidos.

“Deixa ele meu filho… ele está com problemas!”

Passado aquele momento de tensão, um dos outros irmãos chamou o moço aos berros dizendo para ele se desculpar com a Maria. Meio sem jeito ele foi lá e a abraçou o principal pilar da atividade semanal que “dá de comer a quem tem fome”. E Maria, bom… acolheu as desculpas do moço com um sorriso marcante.

Enquanto distribuíamos as marmitas a pequena Maria, uma menina de uns seis anos, acho eu, passava entre as nossas pernas para ajudar. Colocava os garfos nas “quentinhas”, pedia melancias e servia seus amigos coetâneos.

Depois que entregamos todas as marmitas, me aventuro procurando conversar com os irmãos de rua.

“Pai nosso que está nos céus…..”

Percebo que um jovem, pelo que entendi da Aliança e Misericórdia, movimento religioso que tem um cuidado especial pelos moradores de rua, estava rezando com dois irmãos…

Algumas conversas… “Encheu o bucho?” pergunto para uma das crianças que estava perto de mim. Ela sorri e me responde que nem conseguiu comer tudo…

Decido ir embora… Entro para cumprimentar as voluntárias e vejo a senhora que me saudou quando cheguei. “Isso meu filho, continue com esse sorriso lindo”

“E você tenha sempre saúde” respondo… sorrindo, claro!

Saindo da igreja, passo pelo meio do pessoal e encontro a pequena Maria.

“Tchau Maria… Vem aqui me dar um abraço!”, e não consigo conter a emoção de receber um gesto de amor tão puro e sincero…

“Já acabou lá tio?”

“Sim, semana que vem tem mais”

Despeço-me e de novo penso que só existe sentido à minha existência quando me coloco a serviço das pessoas. Vejo que é nela que essa Felicidade Profunda se faz possível.

É fantástico também entender que no dia a dia, no trabalho, nos estudos, podemos encontrar esse sentido. Basta colocarmos cada coisa no seu “devido lugar”: primeiro servir e assim conseguimos fazer frutificar os nossos talentos, quem REALMENTE somos.

Com os olhos lacrimejando, o coração explodindo, sigo para o ponto de ônibus.

“é gente meu Deus… é gente…”

escrevo Logo existo – 50.000 visitas!!!

50.000

Não que essas marcas tenham um valor tão significante, principalmente se tratando de um cenário em que BLOGs e sites alcançam números muito mais expressivos. Escrevo, Logo existo – 50.000 visitas

Mas só de saber que essa enorme quantidade de pessoas parou, as vezes por engano ou mesmo curiosidade, para ler através da minha “lente” muitas das conclusões, experiências e sentimentos vividos, sinto um grande orgulho.

Durante esses 3 anos encontrei muitos amigos, outros que decidiram tornar-se “leitores” e receber diariamente as atualizações por email e vi que o eLe era uma desculpa à mais para construir relacionamentos, uma ponte entre pessoas que pensam diferente de mim, em muitos aspectos, mas que também se deliciam em conviver NESSAS diferenças.

Claro que ninguém lê tudo… afinal de contas, acho difícil alguém acompanhar esse meu anseio inescrupuloso de compartilhar a vida, mas isso pouco importa, afinal de contas a intenção e o estímulo que tenho e que me faz “tocar” o eLe até hoje é poder ser uma “ilha” de esperança, de um olhar otimista, em um mundo tão vazio de respostas.

Obrigado… simplesmente muito obrigado.

29 dias no país do Tsunami – Parte 17: Preparando-nos para a missão em Nias

Momentos de reflexão pré viagem!

Momentos de reflexão pré viagem!

Antes da chegada dos voluntários, (que na verdade eram os responsáveis pelos trabalhos da Caritas em Nias) vieram alguns amigos luteranos de um dos nossos acompanhantes. Conversamos com eles, contamos um pouco quem éramos e porque estávamos ali. Um momento especial onde pudemos doar o Ideal da Unidade, mas principalmente conhecê-los.

Ao final eles nos perguntaram se era possível estar conosco aqueles dias e vimos juntos que seria ótimo. Então, a ideia é sairmos amanhã com um primeiro grupo as 7h para uma pequena cidade, mais ou menos três horas de distância. Ficaremos lá até sábado a noite ou domingo.

Agora entendo o porquê Deus nos fez descansar nesses dias, a aventura começa amanhã.

Depois do encontro com aqueles jovens fui com Ponty descarregar algumas das fotos que já havia tirado, na casa de um amigo seu. Além dele estava toda a sua família e enquanto esperávamos copiar as fotos em cd, tocamos e cantamos. Eu cantei algumas músicas em português e logo se estabeleceu um clima de festa.

Gosto demais do povo indonésio. Sempre contentes, abertos… me sinto em casa e com uma vontade imensa de ficar aqui, vivendo com eles.

Amanhã começa a verdadeira aventura… ao menos no quesito “suor”.

Nonno artista

Sempre in attesa del nonno artista
giocavo alla scuola, sperando il meraviglioso incontro
affrontando l’invidia di chi non era al mio posto!
Lo aspettavo contenta, non temevo sconfitta.
In ogni festa godevamo le sue belle poesie
piene di gioia, di vita, ascoltavo attenta quelle parole magiche
E ora che sono grande capisco il perché della sua fama
Dietro ogni parola aveva un’anima che ama.
C’erano anche i bei disegni del nonno artista.
e pensavo sempre il perché di avere tanti talenti.
Ora che sono grande capisco meglio la sua magia
E perciò più che orgoglio, festeggio la sua presenza in famiglia.
Ora il nonno artista sta sentendo che il tempo passa
Ma nulla porta via la sua gioia, per me lui è una grazia.
Con queste parole mi accorgo che la sua vita è una conquista.
E che ho un’immensa fortuna d’avere e d’amare il mio nonno artista.

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