Author: Valter Hugo Muniz Page 117 of 240

Valter Hugo Muniz - Formado em Comunicação Social com ênfase em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de SP (PUC-SP) em 2009, concluiu em 2012 a “laurea magistrale” em Ciências Políticas no Instituto Universitário Sophia, na Itália. Com experiência em agências de comunicação, multinacionais, editoras e televisão é, atualmente, consultor de comunicação na ONG Arigatou International, em Genebra, Suíça. Com vivência de mais de cinco anos na Europa (Itália e Suíça), participou de trabalhos voluntários em São Paulo e na Indonésia pós Tsunami (2005), além de uma breve estadia na Costa do Marfim (2014). É fundador do escrevoLogoexisto.

29 dias no país do Tsunami – Parte 19: Um mergulho inesquecível

 

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Você nadaria aqui? Eu nadei!

As 17h… FUTEBOL! Estava morto para jogar mas com o incentivo dos meus companheiros de viagem fiquei pelo menos um pouco com as crianças.

Depois fomos para a praia e essa experiência ficará marcada para sempre nas minhas recordações.

Imagine um dia de trabalho duro… sob um sol de 40 graus, depois de viajar umas 10 horas.

Suado, cansado, ao saber que iríamos para o mar, fiquei feliz demais, afinal de contas, nem sabia se naquele lugar haveria água limpa para tomar banho…

Junto com os trabalhadores que estiveram conosco todos os dias fomos caminhando até a tal “praia”, mas há alguns quilômetros de distância, comecei a sentir um cheiro terrível de esgoto. Quanto mais nos aproximávamos, mais o cheiro aumentava.

Chegando naquele que era, antes do Tsunami, um porto para desembarcar pesqueiros, fiquei abismado e disse comigo mesmo “Não vou nadar nesse lugar nem a pau”.

Quando terminei essa frase dentro de mim… meus colegas italiano e ingleses já haviam tirado o tênis e se jogado no mar. Segundos de desespero tomaram conta de mim. Todos gritavam me chamando… me olhavam… “não poderia fazer essa “desfeita” com o convite”.

Aqueles minutos tirando o tênis, as meias, foram os mais longos da minha vida… queria chorar, correr, mas não, ali podia só mergulhar, naquelas águas turvas, certamente cheia de impurezas perigosas, porque não com corpos no fundo? Mas, mais que isso, nadar com aquelas pessoas era mergulhar na realidade dura que meus irmãos indonésios estavam vivendo.

Tampei a boca e, ao pisar na areia, me enojei com o lodo que passava entre os meus dedos e decidi: vou nadar até não dar mais pé… e foi o que fiz…

Depois foi tranqüilo… passamos 30 ou 40 minutos nadando, brincando com aquele pessoal, as crianças. Estar com eles é sempre formidável. Acredito que esse nosso tentar ser um deles foi bem entendido.

Voltando para casa fomos nos perguntando se teríamos um lugar onde poderíamos tomar banho… e claro… até aqui Deus foi bem generoso. Depois do banho com água limpa, fomos jantar.

Motivação

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O que me motiva é o pedalar cotidiano

O rumar sempre adiante, mas sem fazer muitos planos

Viver a vida sabendo o porquê

E perceber que, enfim, eu amo você

O que me alegra é maravilhar-me com seus olhos

E saber que logo estarei n’outro pólo

Viver a vida curtindo o dia a dia

Estar hoje ao seu lado é tudo o que eu queria

O que me faz acreditar

É olhar para trás e ver um grande castelo

Não me importo se você não sabe sambar

Quero encontrar-te logo, eu não nego

Mas o que me levou a fazer tal poesia

Foi ver que antes era eu que não via

E temendo as dificuldades,

Duvidei da possibilidade

De encontrar em você, a máxima felicidade.

Vestido

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Gosto do sol

E ainda mais do seu vestido

Porque mais coragem que um dia terei tido

Olhei-te os olhos, quis-me contido

No calor de muitos graus

Guardo-te as belas pernas, sem olhos maus

Aqui contemplo o balançar comedido

E a alegria de admirar seu lindo vestido

E claro, aqui não importa o tecido

O importante é que em dia quente

Você se lembre de usar o vestido

Também não ligo se é curto, longo

Use o seu preferido

Mas, no sol, encontre-me sempre

Com o seu maravilhoso vestido.

Último vôo

Todo dia o canarinho percorria o parque, de cabo a rabo, para encontrar o jardim onde poderia encontrar sua refeição cotidiana.

Era um vôo longo para aquele pássaro nascido há só um mês. As asas frágeis tornavam o trajeto bem cansativo e cheio de perigos.

Porém ele nunca desistira. Estava decidido a correr todos os riscos, até mesmo o de morte, para nutrir-se e assim ter força suficiente para projetos maiores, viagens mais longas.

E foi assim.

Passaram anos e logo o canarinho estava pronto para uma grande aventura. Deveria cruzar o Atlântico, planar sobre o frio, mesmo a neve, e assim aninhar-se por um período, até a próxima viagem.

E foi…

Em dez, vinte anos o canarinho, não mais sozinho, havia já bebido da água de quase todos os parques do mundo, havia conhecido outras árvores, outros pássaros, até que decidiu voltar.

O pássaro não encontrou mais o parque aonde havia crescido, até mesmo o jardim havia sido destruído, abandonado.

E se deu conta que o tempo não só devora a sua saúde, mas também as coisas.

A única particularidade que não havia passado era a sua vontade de voar, de conquista.

Por isso, bateu asas novamente.

E vôo.

Finto Amor

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Enquanto as correntes marítimas seguem seu fluxo natural

Fico procurando me conscientizar de que nunca terei uma vida normal

Pois afinal de contas ela é fruto das nossas escolhas…

E para onde eu vou, no outono, caem as folhas.

Mas o pior que questionar é olhar para trás temendo

Sofrer pelo que passou é um mal tremendo

Por isso olho pra frente e miro no Sol

Arrumo a cama, ela está vindo… Mãe onde está o lençol?

Aqui tanto os ganhos, quanto as perdas, pesam

Assim vou seguindo aquilo que “cuore e anima” prezam

E a alegria de quem olha pra frente e vê o mundo que espera

É muito maior daquilo a minha humanidade quisera

Olho pra frente, não se pode esperar

A vida passa rápido e é melhor aproveitar

Faço o meu tempo, dou valor verdadeiro pra dor.

Pois sem ela, infelizmente, cabo vivendo um finto*- amor.

*falso

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